Secretários e técnicos dos municípios do Vale Europeu conheceram, no dia 23 de setembro, em Blumenau, como cidades de diferentes regiões do país transformaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em metas, indicadores e estruturas de governança dentro das prefeituras. O encontro Cidades que Transformam, promovido pela Associação de Municípios do Vale Europeu (Amve), tratou de governança, sustentabilidade e boas práticas na gestão pública.
A Amve é signatária do Movimento ODS desde 2020, e o encontro fez parte da Semana ODS na Prática. “Anualmente, nós realizamos eventos que tentam conectar o que é o ODS com as ações práticas”, explica Simone Gomes Traleski, assessora de Saneamento e Meio Ambiente da Amve. “Esse evento traz justamente isso: como os municípios conseguem, de fato, implementar e integrar o ODS no seu dia a dia e nas suas práticas.”
A programação começou com uma palestra sobre iniciativas desenvolvidas em Santa Catarina e seguiu com casos de prefeituras que já trabalham com a Agenda 2030 de forma estruturada.
Um dos casos apresentados foi o ODS Santos 2030, da cidade de Santos (SP). O palestrante Fábio Tatsubô coordena o comitê do programa desde 2018 e chefia o Departamento de Políticas dos ODS, Ouvidoria, Transparência e Controle da prefeitura. O modelo tem comitê ODS, dados abertos e metas metas transversais vinculadas à gestão municipal que podem apoiar o planejamento e a tomada de decisão. Em 2025, o case recebeu o Prêmio Abrig Marco Maciel, na categoria ESG.
De Vitória da Conquista (BA), Ludmila Dias de Araujo Lima mostrou como o município criou um Centro de Governança ODS dentro da Casa Civil e um comitê técnico que reúne diferentes secretarias. Ludmila também coordena a Rede de Municípios ODS Bahia-Minas, que junta prefeituras dos dois estados para trocar experiências e fortalecer boas práticas.
À tarde, Daniel Mancebo, coordenador-geral do Escritório de Planejamento da Casa Civil do Rio de Janeiro, participou de forma remota. Ele apresentou o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática da capital fluminense, que junta planejamento estratégico, sustentabilidade e resiliência climática em uma visão de longo prazo. O plano é acompanhado por um comitê de 50 órgãos municipais e metropolitanos e tem como destaque os corredores de sustentabilidade.
Iniciativas catarinenses
A abertura das palestras ficou com Luciana Maroto Homrich, coordenadora-geral do Movimento Nacional ODS Santa Catarina. Ela apresentou o movimento, que é voluntário e suprapartidário, e a iniciativa “Meu Município pelos ODS”, que oferece ferramentas para apoiar prefeituras em ações de desenvolvimento sustentável.
Encerrando a programação do dia, Fernando Assanti, presidente do Instituto Selo Social, mostrou como a articulação entre poder público, empresas e sociedade civil pode gerar resultados mensuráveis. Com mais de uma década de atuação, o instituto soma mais de 20 mil impactos sociais reconhecidos no país.
Para Maike Letícia Link Bianchini, consultora Lixo Zero da Amve, o encontro cumpriu o papel de aproximar os municípios da região de soluções que já dão resultado em outras cidades. “Foi um espaço de troca de conhecimento sobre governança, planejamento, sustentabilidade, desenvolvimento e articulação entre diversos setores, que fortalecem políticas públicas e contribuem para uma gestão municipal cada vez mais eficiente, integrada e sustentável”, avalia.
O evento contou com a parceria do Consórcio Público Interfederativo de Saúde e Serviços do Vale Europeu (Cisamve), do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (Cimvi) e da Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos (Agir).
Michele Prada, Ascom Amve.
